Ex-sócio afirma que Vorcaro mandou dar dados falsos ao BRB
Em depoimento à Polícia Federal, empresário declarou que ex-controlador do Master ordenou respostas enganosas a auditores sobre carteiras de crédito.
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash
Em depoimento prestado à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, o empresário Augusto Ferreira Lima afirmou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro exercia controle direto sobre as operações de crédito consignado do Banco Master. A declaração contradiz a versão dada por Vorcaro em dezembro do ano passado, quando sustentou que não acompanhava os pormenores desse segmento da instituição financeira.
Conforme revelou O Antagonista, Lima relatou que Vorcaro orientou subordinados e diretores a darem respostas falsas ou evasivas diante de cobranças feitas por auditores do Banco Central e do Banco de Brasília (BRB). Os questionamentos tratavam da falta de lastro nas carteiras de empréstimos vendidas ao banco estatal do Distrito Federal.
De acordo com o depoimento prestado no dia 16 e divulgado no dia 29, funcionários teriam recebido ordens para alegar que os créditos vinham de associações de servidores públicos da Bahia ou de saques em fundos de investimento. A estrutura do Credcesta, cartão de consignado criado por Lima, teria sido usada para dar aparência de regularidade a contratos sem lastro real e inflar as negociações com a instituição pública.
Operações bilionárias sob suspeita
A investigação aponta que o primeiro negócio entre o Master e o banco estatal ocorreu em julho de 2024, no valor de R$ 750 milhões. Lima declarou aos policiais que esse lote inicial reunia contratos regulares de servidores, mas afirmou que a base do Credcesta jamais teria capacidade física de gerar os volumes cobrados por auditores, que variavam de R$ 5 bilhões a R$ 12 bilhões.
O empresário também relatou que decidiu deixar a cúpula do Master entre o final de 2022 e o início de 2023 por divergências com o modelo de gestão, formalizando a saída em maio de 2024. Segundo ele, Vorcaro passou a direcionar o banco para operações de atacado e compra de empresas em crise, chegando a emitir contraordens para validar contratos barrados pelo setor de controle interno da instituição.
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da apuração no dia 28 com o indiciamento de 15 pessoas por crimes financeiros, incluindo Vorcaro, Lima e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Apontado pelos investigadores como integrante do núcleo financeiro da fraude, Lima nega as irregularidades por meio de sua defesa, que sustenta que ele não teve participação nos desvios investigados.
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