Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular da PF
Advogados dizem que arquivos do aparelho foram modificados sob custódia policial e cobram dados originais do STF. A PF afirma que a extração corresponde ao material.
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou nesta quinta-feira, 29, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma análise técnica preliminar encontrou registros de alterações em arquivos do celular do investigado enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal (PF). O pedido é para que a Corte determine a preservação e a entrega dos dados originais da extração. A informação foi publicada pela Revista Oeste e cruza com o que relatou o Metrópoles sobre a mesma petição.
O celular foi apreendido em 17 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, e é apontado pela defesa como a prova central do caso. Segundo os advogados, o aparelho foi manuseado entre 23h22 do dia 17 e 2h25 do dia 18, já sob custódia policial e em modo avião. O relatório oficial registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal e três conexões USB nesse intervalo. Às 1h48min14s, o banco de dados do WhatsApp foi modificado, seis segundos depois de uma das conexões USB. Entre 2h03 e 2h25, há registros de criação ou alteração de senhas.
Os números de arquivos também entram na petição. No dia 18 de novembro, segundo a defesa, 657 arquivos foram modificados, sendo 59 bancos de dados, e 436 foram criados, incluindo 94 imagens e cinco bancos de dados. Outro ponto é a data: a extração está datada de 19 de novembro de 2025, mas 340 arquivos têm data de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. A defesa diz que não encontrou nos autos explicação técnica para essa diferença de quase seis meses.
Cadeia de custódia em questão
Os advogados também apontam lacunas na documentação da cadeia de custódia, que é o conjunto de registros da coleta, guarda, transporte e exame da prova. Segundo eles, o termo de apreensão não indica marca, número de série, IMEI, estado do aparelho nem lacres. No ofício de requisição de perícia, o campo do lacre está em branco, e a mesma fotografia foi usada para representar dois aparelhos distintos. A defesa diz ainda que o laudo não informa a versão da ferramenta nem o método de desbloqueio.
O material recebido pela defesa é um relatório derivado, em formato UFDR, sem os arquivos originais da coleta feita com o equipamento GrayKey. O perito Marcos Monteiro, da MM Forense, contratado como assistente técnico da defesa, mostrou em um arquivo público de teste que é possível editar esse formato e gerar novo relatório sem alerta de integridade. A própria defesa reconhece que o teste não demonstra que as conversas usadas na investigação tenham sido adulteradas.
Resposta da PF e próximos passos
Em nota publicada em 14 de setembro, a PF afirmou que as cópias entregues a gabinetes de ministros do STF correspondiam à extração realizada. A instituição disse manter o material original em suas dependências, com documentação da cadeia de custódia, lacres preservados e mecanismos de verificação de integridade digital.
A defesa cobra dados brutos, códigos hash, registros técnicos da coleta e a identificação de quem teve posse ou manuseou o telefone. Segundo os advogados, esse pedido está em aberto desde 19 de fevereiro de 2026 e ainda não foi apreciado pelo STF. Eles também pedem a substituição da prisão preventiva de Vorcaro por medidas cautelares, já que ele está preso há mais de oito meses sem acusação formal. O Metrópoles informou que a PF indiciou Vorcaro um dia antes da petição, por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa, participação de funcionário público e lavagem de dinheiro. Para o Giro, o ponto que pesa agora é simples: o STF ainda precisa decidir se libera os dados originais para verificação independente.
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