Trump diz que aceitará derrota nas midterms e fala em vetos
Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado dos EUA, e Trump promete negociar, mas sinaliza uso de vetos para governar.
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse na noite de terça-feira (3 de novembro de 2026) ao jornal The New York Times que aceitará o resultado das eleições de meio de mandato. Segundo a Agência Poder360, a declaração veio junto com um sinal de confronto: horas depois, Trump publicou na Truth Social a imagem de um boné vermelho com a palavra "veto".
Segundo as projeções do The New York Times, os democratas conquistaram a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Pelo placar citado nas fontes, o partido já tem ao menos 54 das 100 cadeiras do Senado, número suficiente para a maioria, e 225 das 435 cadeiras da Câmara. Os democratas venceram em estados tradicionalmente republicanos, como Iowa, Kansas, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas.
Trump afirmou ao jornal que pretende buscar acordos com o Partido Democrata. "Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento", declarou. Em outra publicação, ele escreveu que não estava na cédula eleitoral e que, se estivesse, teriam vencido "por uma lavada".
O uso de veto é o ponto de atrito. Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o presidente disse: "Acho que vou me tornar o Sr. Veto". Ele afirmou que, depois de um ou dois meses vetando propostas, o Congresso viria até ele para fechar um acordo.
Na prática, a derrota dá mais força à oposição no Congresso. O Senado precisa aprovar nomeações presidenciais para cargos como ministros, embaixadores e juízes federais, incluindo integrantes da Suprema Corte. Com a maioria democrata, a oposição passa a ter mais poder para dificultar a aprovação de propostas do governo e para rejeitar indicações.
As midterms ocorrem na metade do mandato do presidente americano, e a Presidência não está em disputa. Neste ano, os eleitores votaram nas 435 vagas da Câmara e em 35 das 100 cadeiras do Senado. Deputados têm mandato de dois anos, e senadores, de seis, com renovação de cerca de um terço da Casa a cada eleição.
Para o brasileiro, o efeito é indireto. O que muda é o ritmo das decisões de Washington, que pode ficar travado se os vetos e a disputa no Senado se prolongarem. Vale acompanhar as próximas votações no Congresso americano.
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