Democratas vencem na Carolina do Norte e ameaçam maioria republicana
Com a vitória de Roy Cooper, o partido de Joe Biden abre caminho para virar o Senado dos EUA, segundo projeções citadas pela Jovem Pan.
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash
Os democratas venceram a disputa pelo Senado dos Estados Unidos na Carolina do Norte, estado que até agora era cadeira cativa do Partido Republicano. A eleição foi realizada na terça-feira (3), na votação de meio de mandato, e a apuração ainda estava em andamento até a 0h01 desta quarta-feira (4), segundo a Associated Press (AP), citada pela Jovem Pan.
O ex-governador Roy Cooper, democrata, derrotou o republicano Michael Whatley. Cooper foi procurador-geral por quatro mandatos e governou a Carolina do Norte entre 2017 e 2025. Mesmo com Donald Trump vencendo o estado, ele conquistou duas eleições para governador, o que mostra capacidade de atrair eleitores fora da base democrata. Whatley é ex-presidente do Comitê Nacional Republicano e aliado de Trump, mas nunca tinha ocupado um cargo eletivo.
A cadeira estava em aberto porque o republicano Thom Tillis optou por não concorrer à reeleição. A vitória democrata na Carolina do Norte é tratada como uma virada na disputa pelo controle do Senado, já que o estado votou em republicanos nas últimas quatro eleições presidenciais.
Pela contagem da AP até a madrugada, os democratas chegaram a 45 assentos no Senado e os republicanos a 36. Democratas venceram em Carolina do Norte, Colorado, Delaware, Geórgia, Illinois, Massachusetts, New Hampshire, Nova Jersey, Novo México, Rhode Island e Virgínia. Os republicanos levaram Flórida, Kentucky, Oklahoma, Virgínia Ocidental e Wyoming. Na Câmara, os democratas somavam 102 cadeiras e os republicanos, 58. Para ter a maioria, um partido precisa de 218 assentos.
Projeções e o que está em jogo
Um compilado de projeções da 270towin indica que os democratas podem chegar a 52 cadeiras no Senado, contra 46 dos republicanos. Os levantamentos também apontam que o partido deve ficar com a maioria na Câmara. Esses números são projeções e não resultado final.
As eleições de meio de mandato acontecem a cada dois anos, no meio do ciclo presidencial. Os deputados têm mandatos de dois anos, e os senadores, de seis. Na votação desta terça, estavam em disputa 35 dos 100 assentos do Senado e todas as 435 cadeiras da Câmara. Embora o presidente não esteja na disputa, a eleição é vista como termômetro da avaliação do governo.
Por que o resultado importa
O Congresso aprova leis e o orçamento federal, fiscaliza o governo e, no caso do Senado, aprova indicações do presidente para cargos como ministros e juízes da Suprema Corte. Quando o partido do presidente perde a maioria em uma das Casas, o governo tende a ter mais dificuldade para aprovar suas propostas, e a oposição ganha espaço para convocar investigações e questionar decisões do governo federal.
A apuração nos Estados Unidos é feita pela imprensa, já que não existe um órgão central como o TSE. A votação também termina em horários diferentes, conforme o fuso e as regras de cada estado. Na Califórnia, Oregon e Washington, cédulas ainda eram aceitas até 1h (de Brasília), no Havaí até 2h e no Alasca até 3h. A contagem final pode, portanto, levar mais tempo para ser concluída.
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