PL ensaia reaproximação com Motta por cargos na Câmara
Partido avalia entrar no bloco de apoio à recondução de Hugo Motta, em meio a impasse sobre o voto distrital misto, para não perder espaço nas comissões.
A disputa pela presidência da Câmara em 2027 abriu espaço para uma possível reaproximação entre o PL e Hugo Motta (Republicanos-PB), segundo informou o O Antagonista. Parte do partido resiste à reeleição do atual presidente da Casa, mas uma ala defende retomar o diálogo para que a maior bancada não fique isolada na divisão dos principais cargos do Legislativo.
A movimentação acontece depois que Motta avançou na formação de um bloco de apoio à sua recondução. Conforme a imprensa publicou nesta semana, a articulação reúne 13 partidos e mais de 300 deputados, o que aumenta o poder de negociação do presidente da Câmara e reduz a influência do PL na montagem da próxima Mesa Diretora.
O PL, que terá 121 deputados na próxima legislatura, tentou achar uma alternativa a Motta dentro do próprio Republicanos, mas a iniciativa não avançou. Os nomes sondados não aderiram. Segundo a imprensa, integrantes do partido temem que ficar fora do bloco custe posições na ordem de preferência para escolher as comissões. A sigla ainda poderia presidir colegiados, mas teria de se contentar com espaços menos estratégicos.
Entre os colegiados de interesse do partido estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Relações Exteriores. Motta pode oferecer participação na Mesa Diretora e espaço nessas comissões, enquanto o PL precisaria decidir se abandona a resistência à recondução. Não há acordo fechado nem oferta formal de cargos.
O voto distrital misto é o outro ponto de atrito. Motta acertou com partidos do Centrão a intenção de votar uma PEC sobre o tema ainda neste ano, com transição a partir de 2030 e implementação prevista para 2034. O modelo, segundo a reportagem, pode reduzir a influência dos chamados puxadores de votos, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassaram 3 milhões de votos cada um nas eleições deste ano.
Na quinta-feira, 29, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), reafirmou a resistência da bancada à proposta. Em declaração nas redes sociais, ele afirmou: "Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrários à mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto".
Uma eventual aproximação não significa que o PL tenha deixado de lado as divergências com a agenda de Motta. O partido terá de decidir se mantém o confronto ou se negocia a entrada no bloco para preservar influência na próxima legislatura. A eleição para a presidência da Câmara está marcada para fevereiro de 2027.
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