No STF, Padilha defende fim das bets e cita aumento do suicídio
Em audiência pública sobre apostas esportivas, ministro rebateu argumentos financeiros de times de futebol e apontou danos às famílias.
Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu a proibição total das apostas esportivas e jogos virtuais no Brasil. A sessão, conduzida pelo ministro Luiz Fux, reuniu entidades esportivas e membros do poder público para discutir o impacto das chamadas bets.
Padilha rebateu a posição dos times, que alegam prejuízos aos próprios caixas caso os patrocínios sejam barrados. Conforme noticiou O Antagonista, o ministro afirmou que sua prioridade não é a manutenção da folha salarial das agremiações, mas o socorro a famílias vulneráveis. Ele sustentou que os jogos eletrônicos abalam a convivência doméstica e empurram pessoas de baixa renda para perdas financeiras graves.
Nos dados apresentados no tribunal, Padilha destacou que o vício em apostas eleva em 15 vezes o risco de suicídio, com efeito severo sobre o público feminino. De acordo com o ministro, cerca de 65% das mulheres com dependência têm vergonha de procurar serviços médicos, o que sobrecarrega a rede de atendimento que lida com o avanço da ludopatia.
Pressão no tribunal e projeto de lei
O ministro também contestou a tese de representantes dos clubes de que a legalização trouxe melhorias em outros países. Para Padilha, nenhuma nação que abriu mercado para apostas registrou queda na procura por atendimento em saúde ou redução da violência ligada ao endividamento familiar.
A ofensiva do governo federal contra as plataformas ocorre após a arrecadação de quase R$ 20 bilhões em impostos sobre o setor. Além de atuar por meio de medida provisória para coibir as apostas físicas e virtuais, o Executivo elaborou um projeto de lei que prevê pena de quatro a seis anos de reclusão para a exploração de apostas de quota fixa sem autorização.
O debate no STF traça o futuro do setor e do acesso da população aos aplicativos de apostas no país. Enquanto o Judiciário analisa a legalidade das restrições e o Congresso discute novas punições penais, a disputa contrapõe os interesses comerciais das agremiações esportivas e a necessidade de barrar a drenagem de recursos do orçamento doméstico do trabalhador.
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