Lula aciona PF para apurar disputa por mansão de Richarlison
Presidente cobrou investigação sobre transferência de imóvel de R$ 10 milhões em Angra dos Reis repassado a advogado ligado a Flávio Bolsonaro.

Foto: Ronaldo Maciel / Flickr (CC BY 2.0)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que solicitou à Polícia Federal a abertura de apuração sobre a transferência da posse de uma mansão de 10 milhões de reais na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A propriedade pertencia à empresa do jogador de futebol Richarlison e de seu antigo empresário, Renato Velasco, mas passou para as mãos do advogado Willer Tomaz, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em pronunciamento divulgado em vídeo, o chefe do Executivo declarou que busca esclarecer as circunstâncias do processo de transferência da área, que envolveu registros na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). As declarações foram noticiadas pelo Poder360, que informou sobre a cobrança de averiguação a respeito de possíveis irregularidades na destinação do bem público.
O impasse teve início durante os anos de 2020 e 2021, época em que Richarlison adquiriu a propriedade em sociedade com Velasco e com Alencar da Silveira Júnior, presidente do América-MG. O atleta declarou ter aplicado cerca de 10 milhões de reais no local. Conforme os relatos do jogador, Flávio Bolsonaro visitou a residência e apresentou propostas financeiras de compra, que acabaram rejeitadas pelos donos na ocasião.
Disputa judicial e posse mantida pelo STJ
A mudança na titularidade ocorreu em maio de 2022, quando uma ordem de reintegração de posse emitida pela Justiça resultou na desocupação do imóvel. A medida atendeu a um pedido da empresa M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que sustentava deter o registro imobiliário do terreno desde 1986. A empresa WT Administração, de Willer Tomaz, pagou 2 milhões de reais em débitos fiscais da locadora por sub-rogação, regularizou a documentação na SPU e assumiu a posse, alegando ter investido 5 milhões de reais.
A defesa do atleta tentou reverter a decisão e arrolou o senador como testemunha para demonstrar que o local se mantinha ocupado quando ocorreram as visitas. Apesar das contestações, o Superior Tribunal de Justiça manteve a posse em favor da empresa de Tomaz no ano de 2025. O jogador voltou a reclamar publicamente da perda da área e anunciou a intenção de destinar parte do dinheiro a um hospital de Nova Venécia (ES) se obtiver ressarcimento.
Flávio Bolsonaro reiterou não ter qualquer ligação com o negócio imobiliário ou com o processo judicial, frisando que foi citado exclusivamente na condição de testemunha. O advogado Willer Tomaz e a assessoria do parlamentar não responderam aos questionamentos sobre as falas presidenciais. O caso agora aguarda eventuais manifestações e medidas operacionais da Polícia Federal sobre a condução das apurações solicitadas.
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