Fotos de Lulinha e lobista em jatinho motivam inquéritos
Registros de viagens de luxo e encontros com autoridades abastecem investigações da PF e pedido de CPMI no Congresso.

Foto: Ronaldo Maciel / Flickr (CC BY 2.0)
Imagens encontradas na nuvem do telefone da empresária Roberta Luchsinger revelaram viagens de jatinho, festas e reuniões com autoridades federais ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os registros abastecem apurações da Polícia Federal que investigam a atuação da dupla na intermediação de interesses privados com a administração pública federal.
Três inquéritos por suspeita de tráfico de influência foram abertos a partir de mensagens e arquivos obtidos pelos agentes federais, como noticiou o Poder360. Conforme a apuração policial, a empresária captava clientes corporativos enquanto o filho do presidente utilizava o acesso direto a gabinetes do Executivo para destravar negócios.
Entre os registros divulgados, o grupo aparece a bordo de um jato executivo Embraer Praetor 600, avaliado em mais de 20 milhões de dólares quando novo, utilizado em viagem para a Finlândia no início de 2025. Outra imagem flagrou Lulinha e Luchsinger com Marcelo Checon, proprietário da empresa MChecon. A companhia, que possuía apenas um contrato federal de R$ 197 mil antes de 2023, alcançou 13 contratos com o governo federal que somam R$ 63 milhões nos últimos três anos.
Mansão em Brasília e roteiros no exterior
Os diálogos recuperados pela investigação apontam que Luchsinger custeava viagens internacionais de familiares do filho do presidente e organizava recepções em uma mansão alugada na capital federal. O imóvel recebia empresários e servidores públicos, como Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência, fotografado na virada de ano ao lado de Lulinha. Registros financeiros também mostram o pagamento de bilhetes aéreos em dinheiro vivo e passeios com estimativas de 100 mil reais por pessoa.
O caso provocou reação no Congresso Nacional, onde a oposição recolhe assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a aprofundar as apurações. A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) reuniu 83 adesões de parlamentares para a comissão, que exige apoio mínimo de 171 deputados e 27 senadores para começar a funcionar. Em contrapartida, parlamentares governistas também protocolaram pedido de investigação parlamentar mirando alvos da oposição.
A defesa de Lulinha declarou que as viagens ocorreram por laços estritamente pessoais e classificou a atuação da Polícia Federal como pesca probatória, sustentando que os extratos bancários não mostram repasses da empresária. Os advogados de Roberta Luchsinger afirmaram que não vão comentar vazamentos ilegais, enquanto a empresa MChecon não se pronunciou sobre o caso. A investigação segue em andamento na esfera policial e judiciária.
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