Flávio Bolsonaro acusa perseguição de Moraes após eleição
Senador afirmou estar nos Estados Unidos com a família após ministro do STF reter passaportes e proibir viagens ao exterior.

Foto: Senado Federal / Flickr (CC BY 2.0)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou considerar perseguição política a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a apreensão de seus passaportes e o proibiu de sair do Brasil. A manifestação ocorreu na noite de sexta-feira (30 de outubro de 2026), durante transmissão em vídeo no Instagram, na primeira aparição pública do parlamentar após deixar o território nacional.
Segundo informou o Poder360, o senador viajou aos Estados Unidos na terça-feira (27 de outubro), acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas adolescentes, mesmo diante da restrição imposta pelo STF. Flávio afirmou que os advogados de sua defesa já foram acionados para adotar as providências jurídicas cabíveis perante a Corte, embora não tenha detalhado quais recursos serão apresentados.
Na transmissão, o parlamentar explicou que optou por viajar ao exterior por se sentir ameaçado por eventuais determinações judiciais de Moraes. Ele relatou que estar próximo da esposa e das filhas motivou sua saída e pontuou que o núcleo familiar se encontra abalado com os recentes acontecimentos.
Medida cautelar e apuração da PF
O parlamentar soube da decisão cautelar na segunda-feira (26 de outubro), logo após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua residência. Ao deixar o local depois de meia hora de conversa, Flávio foi abordado por agentes da Polícia Federal, responsáveis por notificá-lo formalmente sobre a apreensão dos documentos e o veto a viagens internacionais.
O pedido de retenção do passaporte do senador foi emitido pela Polícia Federal sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25 de outubro). Na disputa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos (48,21%). O ministro Alexandre de Moraes acolheu a solicitação policial logo em seguida.
Além de contestar a medida restritiva, Flávio criticou o fato de a determinação judicial ter sido tomada sem parecer prévio da Procuradoria-Geral da República (PGR), apontando a iniciativa como uma tentativa de intimidação. O senador também rechaçou qualquer irregularidade referente a investigações sobre movimentações financeiras de empresa associada a Willer Tomaz, negando envolvimento com o caso.
Com a representação formal entregue aos seus advogados, caberá à defesa do senador protocolar os pedidos de reconsideração e eventuais recursos no STF para tentar anular a retenção dos documentos de viagem e a ordem de restrição. Enquanto aguarda a tramitação das medidas jurídicas em Brasília, Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos com a família.
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