Deltan vai ao TSE para analisar abertura de sigilos de Lula
Ex-procurador foi escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro para examinar documentos fiscais, bancários e despesas presidenciais.

Imagem: @deltanmd / reprodução
O ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), esteve na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar e examinar os dados de sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de registros de gastos e visitas. A ida ao tribunal ocorreu após a equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) escalá-lo para auditar as informações apresentadas pelo petista na disputa eleitoral.
Em vídeo gravado em frente ao prédio do TSE e publicado em sua conta no X, Dallagnol afirmou que buscava acesso aos registros de cartões corporativos, visitas oficiais e informações sobre empresas ligadas a familiares de Lula. Ele questionou a falta de liberação pública dos autos e apontou que a empresária Roberta Luchsinger não teria autorizado a abertura de seus dados.
A escolha de Dallagnol ocorreu por sua atuação prévia no comando das apurações da Lava Jato, segundo informou o Tribuna PR. O objetivo declarado pela campanha de Flávio Bolsonaro é submeter extratos e relatórios a um exame detalhado, em busca de eventuais inconsistências contábeis e fiscais antes do término da corrida eleitoral.
Troca de exigências entre campanhas
De acordo com apuração do portal Metrópoles, a ida ao TSE foi organizada com a participação da coordenadora jurídica da chapa, Maria Cláudia Bucchianeri, e da assessoria de imprensa. A linha adotada pela campanha do PL estabelece que Flávio só apresentará suas movimentações bancárias e telefônicas após a entrega formal e a conferência prévia dos dados fornecidos por Lula.
O impasse teve início no debate da Band realizado no dia 18 de outubro, quando Lula desafiou o parlamentar a divulgar seus sigilos. Flávio aceitou a proposta, mas ampliou as cobranças para alcançar familiares, assessores e pessoas ligadas ao governo federal, retroagindo os pedidos de checagem para o ano de 2003, enquanto a proposta inicial do petista cobria os últimos oito anos e a empresa L.I.L.S. Palestras.
Entre as 19 exigências aceitas pelas partes estão a entrega de dados sobre o cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, agendas anteriores de Janja Lula da Silva e registros de reuniões e voos envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. Também constam da lista informações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Instituto Lula, o ex-ministro Guido Mantega e o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto.
Transparência e próximos passos
Por outro lado, a equipe jurídica de Lula cobra o espelhamento das checagens sobre as contas de Flávio Bolsonaro, parentes e empresas associadas, incluindo a offshore Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira. O grupo petista classificou as ampliações de escopo como manobra, enquanto a defesa do senador nega participação societária na empresa estrangeira.
A entrega e a validação desses relatórios no TSE continuam como ponto central da disputa nesta etapa decisiva da campanha. A liberação dos dados nos autos do processo definirá se os documentos serão abertos para conferência pública ou se as contestações jurídicas permanecerão até o dia da votação.
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