Aumento do ICMS do diesel em SP vira disputa entre Boulos e Tarcísio
Imposto sobre o diesel sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro a partir de 1º de fevereiro de 2027, após decisão do Confaz. Ministro e governador paulista trocam acusações.
Foto: Hans Eiskonen / Unsplash
O Confaz aprovou, na terça-feira (27/10), um reajuste do ICMS sobre diesel, gasolina e gás de cozinha que passa a valer em 1º de fevereiro de 2027. No diesel, o imposto cobrado por litro vai de R$ 1,17 para R$ 1,30, alta de R$ 0,13 ou 11,1%. A decisão foi tomada pelo colegiado do Ministério da Fazenda que reúne os 26 estados e o Distrito Federal, e o assunto virou troca de acusações entre o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Boulos atribuiu a Tarcísio o aumento do imposto sobre o diesel em vídeo publicado no Instagram, que também foi comentado pelo Metrópoles. Segundo o ministro, o reajuste afetaria o preço do combustível para os caminhoneiros e também o preço dos alimentos, já que o transporte é feito por rodovias. Ele cobrou do governador uma mudança de postura e comparou a medida com a política do governo federal, que, segundo ele, subsidia R$ 2,12 por litro de diesel.
O governo de São Paulo respondeu em nota e chamou a declaração de "lamentável". Tarcísio afirmou que o reajuste foi definido no Confaz, aprovado por unanimidade, inclusive pelos estados governados pelo PT, e que a cobrança segue a mesma regra nacional em São Paulo, Piauí, Ceará e Bahia. A nota também diz que São Paulo manteve a alíquota modal de 18% nos últimos quatro anos, enquanto Piauí, Bahia e Ceará elevaram as suas, para 22,5%, 20,5% e 20%.
Boulos rebateu no X. Ele afirmou que o governador passou meses criticando o governo Lula por causa de impostos e que, três dias depois da eleição, votou a favor do aumento no Confaz. A resposta do ministro saiu no domingo (1º).
Além do diesel, o reajuste atinge a gasolina, que passa de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro (alta de R$ 0,07, ou 4,5%). No gás de cozinha, o ICMS sobe de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, o que representa R$ 0,91 a mais em um botijão de 13 quilos. Os novos valores foram fixados pelos convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, publicados no Diário Oficial da União na quarta-feira (28/10).
Para o consumidor, a mudança aparece no preço final de diesel, gasolina e gás a partir de fevereiro de 2027, e a conta do botijão sobe R$ 0,91. Quem depende do diesel para trabalhar ou para abastecer caminhão deve acompanhar o efeito no frete e nos preços dos alimentos, tema que o próprio ministro colocou em debate.
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