IBGE estuda incluir tráfico e apostas em novo cálculo do PIB
Revisão metodológica prevista para 2028 pode elevar indicador em até 5% e reduzir artificialmente o peso da dívida pública.

Imagem: @nopontodofato / reprodução
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avalia uma mudança metodológica no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) que considera a inclusão de atividades como tráfico de drogas, contrabando e apostas. A reformulação integra o projeto de implantação da nova série do Sistema de Contas Nacionais com ano-base em 2021, cuja divulgação oficial está prevista para 2028.
Em análise divulgada pelo perfil @nopontodofato, o comentarista Pablo Spyer ressaltou que a inclusão dessas transações pode provocar uma alta de 4% a 5% no PIB nacional. Ele pontuou que o crescimento resultante seria puramente contábil, sem representar geração efetiva de riqueza para a população, gerando como efeito direto a redução da proporção da dívida pública sobre a economia.
A proposta segue o manual internacional System of National Accounts 2025, adotado pela Comissão de Estatística das Nações Unidas em cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O objetivo do padrão internacional é evitar distorções estatísticas entre diferentes países. Nações da União Europeia, por exemplo, já utilizam diretrizes semelhantes desde 2014 para registrar bens ilegais e jogos.
Impacto sobre as contas do governo
Conforme apurou o Tribuna PR, o economista Bráulio Borges, do FGV Ibre, calculou que a atualização das bases pode expandir o valor nominal do PIB em patamar superior a 5%. Borges explicou que a nova régua não altera a quantia real de despesas e arrecadação do Estado, mas mexe nos índices proporcionais: um aumento de 1% no PIB reduziria a proporção da dívida pública em cerca de 0,83 ponto percentual, tomando como referência uma dívida no patamar de 83%.
O IBGE informou que a incorporação dessas atividades não é automática e depende da existência de bases estatísticas confiáveis. O instituto também esclareceu que registrar o volume dessas transações para fins estatísticos não significa legalizar operações criminosas, além de ressaltar a dificuldade técnica para mensurar recursos de atividades que não emitem nota fiscal.
Na prática, a eventual mudança na fórmula não traz benefício financeiro direto para o bolso do trabalhador nem amplia os empregos formais no país. A consequência visível fica restrita à gestão das contas públicas em Brasília, já que um PIB inflado por dados do mercado ilegal reduz no papel a taxa de endividamento da administração pública, sem a necessidade de promover cortes reais em despesas governamentais.
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