Anvisa libera testes em humanos de vacina brasileira da malária
Imunizante Vivaxin recebe R$ 12 milhões em verba federal e inicia fase com 48 voluntários para combater parasita comum no país.

Foto: SELF Magazine / Flickr (CC BY 2.0)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início dos ensaios clínicos em seres humanos da Vivaxin, primeira vacina desenvolvida no mundo contra a malária provocada pelo parasita Plasmodium vivax. O imunizante utiliza tecnologia totalmente nacional e visa conter a forma do protozoário mais incidente no território brasileiro.
Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais, a fórmula conta com um aporte previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para cobrir as três primeiras etapas de testes, conforme noticiou a Jovem Pan. O montante viabiliza a execução dos estudos clínicos de fases I, II e III.
Na fase inicial autorizada pela agência, os pesquisadores vão monitorar 48 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos e sem histórico de infecção prévia. Esse grupo passará por acompanhamento médico contínuo durante 360 dias com a finalidade de verificar a segurança biológica do composto, a ocorrência de reações adversas e a capacidade de induzir imunidade contra o patógeno.
Foco no parasita regional
O Ministério da Saúde aponta que o país contabilizou 118.037 notificações de malária em 2025. As formulações aprovadas globalmente até agora focam apenas no Plasmodium falciparum, predominante no continente africano, o que mantinha sem proteção específica as regiões onde o Plasmodium vivax lidera os contágios, como as Américas e a Ásia.
A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, com maior concentração de casos nos estados da região amazônica: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A pasta federal adverte ainda que, embora os registros sejam menores nas demais unidades federativas, a letalidade fora da Amazônia costuma ser proporcionalmente maior em caso de demora no diagnóstico.
Para a população dessas áreas e viajantes em deslocamento para zonas de mata, as medidas preventivas continuam dependentes do combate ao vetor e da busca rápida por atendimento nos postos do Sistema Único de Saúde aos primeiros sintomas de febre, já que a vacina nacional ainda cumprirá o cronograma de segurança antes de eventual distribuição pública.
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