STJ exonera chefe de TI sob suspeita de vazar dados a advogado
Decisão da presidência da corte ocorreu após relatório da Polícia Federal apontar repasse antecipado de decisões e minutas de processos.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) exonerou o secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação da corte, Humberto Fontoura Pradera, após investigações da Polícia Federal apontarem repasse indevido de informações e documentos sigilosos ao advogado Willer Tomaz. A medida foi formalizada na sexta-feira (16) pelo presidente do tribunal, ministro Luis Felipe Salomão.
A apuração interna começou logo após a cúpula do tribunal ser informada sobre a apuração preliminar envolvendo o servidor, que exercia cargo em comissão. Como informou O Antagonista, a Polícia Federal enviou à Procuradoria-Geral da República um relatório que descreve o envio de movimentações processuais restritas e até o compartilhamento de foto da tela de um computador institucional.
Apuração sobre processos e minutas
Segundo os investigadores, o acesso prévio a minutas de acórdãos e manifestações permitia que a banca de advocacia ajustasse estratégias ou desistisse de recursos antes da divulgação oficial. O relatório da corporação lista ao menos sete situações suspeitas, entre elas uma disputa imobiliária relativa à antiga Academia de Tênis de Brasília, avaliada em R$ 176,4 milhões, na qual o escritório teria tido acesso ao teor de uma decisão dois dias antes da assinatura.
Outro caso apontado no documento envolve processo movido pelo senador Weverton Rocha contra a Editora Abril. Em setembro de 2025, as partes desistiram de recursos apresentados na véspera do julgamento porque, segundo a investigação, a defesa já conhecia o provável entendimento do tribunal. As mensagens interceptadas indicam ainda contatos entre o advogado e o ex-subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, aposentado em março de 2026.
Em manifestação pública, a defesa de Willer Tomaz negou com veemência o acesso a documentos sob sigilo ou qualquer ingerência em manifestações do Ministério Público Federal. O advogado afirmou que a sua atuação sempre seguiu as prerrogativas legais da classe profissional, declarou desconhecer a íntegra do relatório da PF e informou que acionará os meios jurídicos para esclarecer os fatos e investigar o vazamento dos dados policiais.
O Superior Tribunal de Justiça declarou que medidas judiciais no âmbito criminal continuam em andamento sob segredo de Justiça, razão pela qual o tribunal não divulgará novos detalhes sobre o processo investigatório.
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