STF vai julgar regra que pode custar R$ 24 bi anuais ao SUS
Supremo aceitou analisar a revisão da tabela de pagamentos a hospitais privados conveniados, com risco fiscal bilionário aos cofres federais.
Foto: Solen Feyissa / Unsplash
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que vai julgar a revisão dos repasses feitos pela União a hospitais particulares conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A disputa jurídica envolve um impacto financeiro estimado em R$ 24 bilhões por ano nas contas do Ministério da Saúde, caso as entidades de saúde consigam alterar os valores pagos por procedimentos médicos.
A repercussão geral do caso foi aprovada por 9 votos a 1 no plenário virtual da Corte, seguindo o voto do relator, ministro Gilmar Mendes, com voto divergente apenas do ministro Luiz Fux. O processo original, como noticiou a Revista Oeste, foi apresentado pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG) e questiona uma decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As instituições privadas de atendimento hospitalar alegam que existe um descompasso econômico nos convênios firmados com o poder público. Por essa razão, pedem que a Tabela SUS seja equiparada aos parâmetros da Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos (Tunep) e do Índice de Valoração do Ressarcimento (IVR), réguas usadas atualmente quando os planos de saúde privados ressarcem a rede pública.
Risco aos cofres públicos
No relatório apresentado, Gilmar Mendes apontou que a Tunep e o IVR foram criados no sentido inverso, ou seja, para cobrar as operadoras privadas, e não para ditar o preço do SUS aos hospitais. O ministro alertou que uma mudança dessa dimensão traz reflexos diretos na sustentabilidade financeira do Estado, com risco orçamentário que pode comprometer a manutenção de outras políticas de saúde pública no país.
A manifestação do Supremo marca uma alteração no entendimento anterior sobre a disputa. Em 2021, a Corte havia classificado o tema como infraconstitucional por 7 votos a 3, deixando o assunto fora de sua competência direta. Segundo o relator, a proliferação recente de ações semelhantes pelo Brasil e a divisão de encargos entre União, estados e municípios justificam agora uma definição definitiva da Corte máxima.
Com a repercussão geral validada, o resultado do julgamento definitivo servirá de modelo obrigatório para todas as instâncias judiciais do território nacional. A data da sessão que vai definir o mérito e determinar se haverá ou não o aumento de despesas públicas para os contribuintes ainda será agendada pelo tribunal.
Leia também

Lula diz que vê pessoas sem dente toda vez que vai ao Acre
Declaração sobre saúde bucal no estado gerou repercussão ao ignorar duas décadas de gestões petistas na administração local.
Por Redação Giro Cidadão

Bolsa Família: reajuste de 15% antes da eleição gera debate
Aumento no piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 custará R$ 5,8 bilhões em 2026 e motiva críticas sobre impacto fiscal e uso eleitoral.
Por Redação Giro Cidadão
Itamaraty rebate Milei após fala sobre eleição brasileira
Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial contestando publicação do presidente argentino sobre a votação de 25 de outubro.
Por Redação Giro Cidadão

Vídeo expõe promessas não cumpridas a moradores do Nordeste
Peça divulgada nas redes sociais reúne relatos sobre falta de esgoto, saúde precária e migração forçada na região.
Por Redação Giro Cidadão
O Giro na sua caixa de entrada
Política e o que muda na sua vida de cidadão, uma vez por semana. Sem spam.
