PGR rejeita pedido de Moraes para investigar André Mendonça
Procurador-geral Paulo Gonet afirma que conduta do ministro no caso Banco Master não configura crime de abuso de autoridade.

Foto: Defensoria Pública da União - DPU / Flickr (CC0)
A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (19), parecer contrário ao pedido de abertura de investigação contra o ministro André Mendonça por suposto abuso de autoridade. No documento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que a representação não apresenta elementos que sustentem a existência de conduta criminosa.
A manifestação técnica foi solicitada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, depois que o ministro Alexandre de Moraes acionou o tribunal para pedir apuração contra o colega. Conforme informou a Revista Oeste, Moraes acusou Mendonça de atuar de maneira parcial na relatoria das apurações do caso Banco Master com o objetivo de incriminá-lo.
Na avaliação enviada ao tribunal, Gonet afirmou que a representação "não parece demonstrar que a conduta possa ser reconduzida a ato punido por algum tipo da Lei de Abuso de Autoridade". O procurador-geral também pontuou que os relatórios solicitados por Mendonça à Polícia Federal não constituem provas processuais e, por esse motivo, não podem ser classificados como provas ilícitas.
Origem do conflito no STF
O atrito interno teve início em 1º de setembro, data em que Mendonça levantou o sigilo de um relatório elaborado pela PF. A peça registrava a troca de aproximadamente 50 mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um terminal telefônico atribuído a Moraes, diálogo ocorrido antes da prisão do empresário, em novembro de 2025.
Dois dias depois da liberação dos dados, Moraes encaminhou a Fachin uma representação apontando supostos indícios de improbidade administrativa, favorecimento político, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. O ministro sustentou que Mendonça teria interferido no trabalho dos investigadores, atuado de maneira irregular em negociações de delação premiada e direcionado apurações por motivos particulares.
Com o parecer oficial da PGR que descarta a ocorrência de crime, caberá à presidência do Supremo Tribunal Federal analisar o documento e definir os desdobramentos regimentais do caso dentro da Corte.
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