PF prende Márcio Canella por suposta ligação com facção no RJ
Operação Unha e Carne apura esquema entre a prefeitura de Belford Roxo e o Comando Vermelho envolvendo obras e segurança.

Foto: acmoraes / Flickr (CC BY 2.0)
O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi preso pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ordem de prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em relatórios que apontam articulação entre a administração municipal e lideranças do Comando Vermelho (CV).
Segundo informações publicadas pela Revista Oeste, as apurações indicam que o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa atuava como interlocutor da prefeitura junto aos chefes da facção. O oficial, que já havia sido detido em fevereiro por suspeita de ligação com o tráfico, mantinha mensagens em seu aparelho telefônico com integrantes da cúpula criminosa, incluindo Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e José Severino da Silva Júnior, o Soró.
De acordo com a PF, os diálogos revelam uma negociação para viabilizar serviços urbanos em redutos dominados pelo grupo armado. Os criminosos aceitavam retirar temporariamente barricadas para a realização de obras de asfaltamento, permitindo que a prefeitura divulgasse as melhorias. Em troca, o policial e a gestão local garantiriam a redução de incursões policiais nessas áreas, assegurando que o território voltasse ao controle da facção após a conclusão das intervenções.
Bilhões movimentados e cargos públicos
A investigação também atinge um esquema de lavagem de capitais estruturado a partir de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Dados repassados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que as transações do grupo financeiro somaram mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Os agentes federais apontam Canella como articulador político da organização criminosa e destinatário constante de valores com origem suspeita. O ex-prefeito teria exercido influência política para nomear pessoas alinhadas ao grupo em postos estratégicos do Estado, incluindo a articulação para conduzir Marcus Vinicius Amim Fernandes à presidência do Detran fluminense e, posteriormente, à Secretaria de Polícia Civil, mediante alteração na legislação estadual.
A apuração financeira identificou cerca de R$ 2,5 milhões movimentados pelo ex-prefeito em um ano, com R$ 1,4 milhão vindo da empresa Brumar Empreendimentos sem justificativa comercial identificada, além de anotações sobre repasses em dinheiro vivo que ultrapassam R$ 139 mil. O inquérito segue sob análise no STF para detalhar a extensão dos atos praticados pelos envolvidos.
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