PF prende Márcio Canella por elo com tráfico e milícia no RJ
Deputado estadual eleito e ex-prefeito é apontado como patrono político de esquema bilionário que usava postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.

Foto: Lindomar Cruz / Flickr (CC BY 2.0)
A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne e prendeu preventivamente o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo. Os investigadores classificaram o parlamentar fluminense como patrono político e articulador de alto escalão de uma estrutura criminosa ligada à facção Comando Vermelho.
De acordo com informações divulgadas pelo portal O Antagonista, a organização investigada montou uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro voltada à lavagem de capitais. Conforme a corporação, o grupo mantinha pontes operacionais tanto com traficantes quanto com milicianos para garantir domínio territorial e proteção política, atuando Canella como ponte direta entre a administração pública e as empresas.
A PF apontou atos de cooptação na gestão municipal de Belford Roxo, como a nomeação de ex-vereadores investigados por elo miliciano para cargos no primeiro escalão. Durante as diligências, os policiais apreenderam veículos de luxo, motocicletas de alto padrão e uma coleção de relógios de alto valor, bens incompatíveis que reforçam os indícios de lavagem de dinheiro.
Bloqueios e mandados judiciais
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios fluminenses como Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Entre os alvos presos também figura o delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim.
Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas envolvidas no esquema, sendo 96 postos de combustíveis. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a rede movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Os investigados responderão, conforme a participação individual, por organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. O processo segue em tramitação sob a alçada do STF, com as empresas interditadas para estancar a circulação dos recursos ilícitos.
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