PF pede 90 dias ao STF sobre repasses para filme de Bolsonaro
Investigadores identificam divergências entre relato de delator e documentos sobre envio de recursos aos Estados Unidos.
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash
A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 90 dias de prazo para aprofundar as apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu após os policiais identificarem divergências entre o depoimento de um delator e documentos reunidos no processo.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, declarou em depoimento que transferiu US$ 12,3 milhões (aproximadamente R$ 62 milhões) a um fundo no exterior sob a justificativa de aporte no mercado imobiliário americano. Como noticiou O Antagonista, o delator afirmou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, não o informou que os valores seriam direcionados para bancar a obra cinematográfica.
A perícia da PF, entretanto, encontrou inconsistências nessa versão. Entre as peças analisadas está uma carta-acordo dirigida à empresa Entre Investimentos que estipulava um aporte de US$ 24 milhões com menção expressa à produção de um filme. Os peritos também detectaram uma transferência de R$ 12 milhões da Super Empreendimentos para a conta da intermediadora na véspera do primeiro envio ao exterior, movimentação divergente da origem descrita pelo empresário.
O inquérito conduzido no STF também verifica se recursos foram remetidos a pedido do senador Flávio Bolsonaro, a suspeita de custeio de despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a destinação de emendas parlamentares a entidades vinculadas à produtora. Eduardo Bolsonaro negou ter recebido valores do fundo ligado a Vorcaro, declarando que aplicou US$ 50 mil no projeto e teve a quantia ressarcida sem relação com as contas apuradas.
Apuração e custos declarados
Registros apresentados pela produtora Go UP apontam que o longa-metragem teve custo declarado de R$ 75,1 milhões, divididos entre R$ 54 milhões em despesas no exterior e R$ 20,9 milhões em território nacional. A defesa da empresa sustentou que as perícias demonstrarão a regularidade de todos os contratos e recursos captados.
Com o pedido de extensão submetido ao STF, caberá ao tribunal autorizar a continuidade das diligências sobre a cadeia de pagamentos e a eventual aplicação indevida de verbas públicas.
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