PF apura viagem de luxo de ex-assessor de Lula paga por lobista
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam repasses de R$ 32,7 mil para hospedagem em Paraty durante conversas sobre contratos da Petrobras.

Foto: Lindomar Cruz / Flickr (CC BY 2.0)
A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mensagens em poder dos investigadores mostram que despesas de hospedagem avaliadas em R$ 32,7 mil em uma pousada de luxo em Paraty, no Rio de Janeiro, foram bancadas por intermediários ligados a interesses privados no governo.
A estadia de réveillon para a virada de 2024 teve a reserva inicial paga pela lobista Roberta Luchsinger e o custo total assumido pelo empresário Leo Slezynger, herdeiro da fabricante de fertilizantes Unigel, conforme noticiou O Antagonista. As trocas de mensagens apontam que a articulação ocorria no mesmo período em que eram debatidos contratos da empresa junto à Petrobras, citando também Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O foco da apuração policial reside em um contrato de prestação de serviços assinado entre a Petrobras e a Unigel em dezembro de 2023. Pelo modelo pactuado, a estatal entregava gás natural para o processamento de fertilizantes em unidades na Bahia e em Sergipe. A operação encontrou resistência prévia na cúpula da petroleira e acabou suspensa em maio de 2024 por descumprimento de metas, após relatório do Tribunal de Contas da União identificar prejuízo para a estatal.
Gastos pessoais e contatos em ministério
Os registros da investigação indicam repasses adicionais da lobista para o então assessor presidencial. Segundo a PF, foram pagos R$ 217 mil em despesas de uso pessoal de Ribeiro durante 2024, quantia que cobriu faturas de cartão de crédito, joias, seguro e parcelas de financiamento veicular. Mensagens interceptadas também mostram pedidos de Roberta para que Marcola levasse demandas da empresa ao então ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A defesa de Marco Aurélio Ribeiro declarou que os valores quitados pela intermediária faziam parte de um empréstimo pessoal, já devidamente devolvido. Em nota, os advogados afirmaram que o ex-assessor nunca interveio em benefício de interesses corporativos, compras públicas ou licitações governamentais.
A fabricante Unigel ressaltou, em posicionamento público, que jamais manteve qualquer vínculo contratual formal com Roberta Luchsinger ou empresas pertencentes à lobista. O inquérito policial permanece em curso para apurar o alcance das tratativas e eventuais prejuízos causados aos cofres públicos.
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