OAB repudia fala de Lula sobre atuação de Flávio como advogado
Beto Simonetti afirmou que declarações em debate eleitoral tentam criminalizar a advocacia e ferem prerrogativas da profissão.

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, manifestou repúdio público nesta segunda-feira (19/10/2026) contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que questionaram a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado. A manifestação ocorreu durante sessão oficial da entidade, após os embates ocorridos no debate presidencial transmitido pela Band no domingo anterior (18/10/2026).
Em gravação divulgada pelo perfil @Haaaysb, Simonetti discursou ao plenário da Ordem e declarou que a instituição não aceita a desqualificação das prerrogativas da classe. O dirigente pontuou que a impetração de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) integrou o trabalho técnico e regular da advocacia, destacando ainda que a ordem chegou a ser concedida pelo tribunal.
Durante o confronto na televisão, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a defesa de um policial acusado pela morte de uma criança de cinco anos, conforme noticiou o Metrópoles. Para o comando da OAB, a tentativa de associar o profissional aos atos imputados a clientes em palanques eleitorais configura um ataque direto ao livre exercício da profissão.
Defesa do livre exercício profissional
Ao discursar no Conselho Federal, Simonetti leu uma nota oficial e afirmou que a entidade mantém postura equidistante no campo partidário, mas não se cala diante de ataques ao direito de defesa. O pronunciamento do dirigente foi aplaudido pelos conselheiros federais que participavam da reunião em Brasília.
A entidade sustentou que criminalizar ou constranger defensores técnicos compromete as garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal. A atuação da advocacia não pode ser cerceada ou submetida a disputas políticas, pois atende ao princípio de que todo acusado tem direito ao devido processo legal.
A manifestação formal da OAB marca uma fronteira clara para a reta final da campanha eleitoral e reforça a blindagem legal do trabalho técnico. Para os profissionais do setor e a sociedade, a posição reafirma que o exercício da advocacia deve seguir protegido de pressões partidárias e julgamentos de conveniência.
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