Lula diz que não sabia de falta de reajuste no Bolsa Família
Presidente alegou desconhecer congelamento do benefício por quase quatro anos e negou intenção eleitoral no aumento concedido antes do primeiro turno.

Em entrevista transmitida na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que desconhecia a ausência de reajuste nos valores do Bolsa Família durante quase quatro anos de mandato. O mandatário, que disputa a reeleição no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), classificou o congelamento como inexplicável ao ser questionado sobre o anúncio de correção feito semanas antes da votação inicial.
A declaração foi concedida à TV Globo e repercutiu intensamente nas redes sociais, conforme trecho divulgado pelo perfil @Haaaysb. Ao responder à jornalista Renata Lo Prete, o chefe do Executivo declarou que só soube da falta de reposição monetária durante uma reunião com a equipe ministerial, ocasião em que teria cobrado explicações imediatas dos subordinados.
"Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com meus ministros quando eu fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. Eu não sabia. É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar. É impensável. Mas aconteceu", declarou o presidente durante a entrevista ao vivo.
Reajuste tardio e impacto nas contas
O reajuste de 15,04% no programa social foi anunciado pelo Palácio do Planalto em 17 de setembro, exatamente 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026. Com a atualização, o piso pago aos beneficiários passou de R$ 600 para R$ 691. O benefício básico estava sem correções desde março de 2023, data em que o programa foi reformulado no início do atual mandato.
Antes da correção emergencial, em 31 de agosto, o Executivo havia encaminhado ao Congresso Nacional a proposta orçamentária de 2027 sem qualquer reserva de recursos para reajustar o benefício social. Dados apresentados pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, apontam que o aumento terá um custo extra de R$ 5,8 bilhões para os cofres públicos em 2026 e exigirá cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027, demandando corte ou remanejamento de outros gastos.
Lula rejeitou a acusação de que a medida teve motivação eleitoreira e afirmou que o reajuste foi autorizado porque o governo identificou espaço fiscal para arcar com o impacto financeiro, mantendo a estimativa de superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) na peça orçamentária.
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