Kassab condiciona apoio do PSD a Lula à política econômica
Presidente do PSD diz que a participação do partido no quarto governo Lula depende da condução fiscal e nega convite para ministério.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse nesta segunda-feira (2), em entrevista ao Direto ao Ponto, da Jovem Pan News, que a participação do partido no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai depender, sobretudo, da condução da política econômica. Segundo o veículo, que trouxe a entrevista, Kassab também negou ter recebido convite para assumir um ministério.
Ao falar sobre o governo, Kassab afirmou que "a intensidade da participação do PSD nessa gestão vai depender muito das propostas e da maneira como o presidente apresentar, em especial como será a condução da sua política econômica". Ele disse que existe hoje uma expectativa ruim em relação ao equilíbrio fiscal e às contas públicas, e que as primeiras sinalizações de Lula sobre a equipe econômica serão determinantes para a relação entre o partido e o Palácio do Planalto.
Questionado sobre integrar a Esplanada dos Ministérios, Kassab respondeu que não teve convite. Para ele, seria arrogância falar em condição nenhuma. Ele afirmou que ser ministro é muito honroso para qualquer brasileiro. Também disse que suas avaliações dizem respeito à posição institucional do PSD e que a escolha dos ministros é prerrogativa do presidente da República.
O quadro político ajuda a entender o recado. A Jovem Pan apurou que PSD, MDB e União Brasil saíram na frente nas articulações para conquistar ou manter ministérios no quarto mandato de Lula, que começa em janeiro de 2027. O presidente também conversa com Progressistas e Republicanos para ampliar a sustentação no Congresso. Segundo a composição do Congresso eleito em outubro, o PSD terá 43 deputados federais e cinco senadores a partir de fevereiro de 2027. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada individual das duas Casas, com 121 deputados e 28 senadores.
Kassab disse que o apoio do PSD não significa alinhamento automático ao Planalto e que o partido quer manter a liberdade de criticar medidas que contrariem suas convicções e seu programa. Ele também defendeu que Lula dialogue com as forças de centro e afirmou que, ao fazer um governo também ao centro, o presidente ampliaria seu leque de apoios. Na avaliação dele, isso não exigiria abandonar os compromissos da campanha, e Lula poderia manter a agenda social e, ao mesmo tempo, adotar medidas para melhorar a confiança dos investidores.
Sobre as contas, Kassab reconheceu a importância de Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Luz para Todos, mas questionou de onde vêm os recursos para esses programas. Ele também criticou o nível dos juros e disse que o custo do crédito dificulta investimentos, inclusive no mercado imobiliário. Para o dirigente, o governo precisa ajustar despesas sem depender de novos aumentos da carga tributária.
Kassab citou a reação dos mercados ao resultado eleitoral como sinal da preocupação dos investidores. Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de cerca de 4,43 milhões de votos. Para o presidente do PSD, caberá a Lula apresentar medidas que revertam esse cenário, e a escolha da equipe econômica será um dos principais sinais sobre a direção do quarto mandato.
Para quem paga a conta e acompanha o orçamento do país, o ponto central é a equipe econômica e as medidas fiscais que o governo anunciar nos próximos meses, antes da posse marcada para janeiro de 2027.
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