Governo corta R$ 17 bi em projeções para bancar Bolsa Família
Manobra orçamentária reduz estimativas de gastos com INSS, servidores e BPC para viabilizar aumento do benefício a partir de outubro.
O governo federal revisou as projeções do Orçamento e reduziu estimativas de gastos com aposentadorias, funcionalismo público e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A manobra contábil foi adotada para abrir espaço fiscal e acomodar o reajuste do Bolsa Família, cujo piso passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.
As alterações constam no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre de 2026, como informou a Revista Oeste. O recuo mais expressivo ocorreu na projeção de despesas da Previdência Social, com redução de quase R$ 12 bilhões nas estimativas de desembolso para este ano.
Além do corte nas projeções do INSS, a previsão de despesas com servidores e encargos sociais caiu R$ 4,1 bilhões, enquanto o cálculo reservado ao BPC recuou R$ 1,8 bilhão. O governo também diminuiu em mais de R$ 1 bilhão a projeção de recursos voltados a subsídios, subvenções e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o ajuste não representa cancelamento de benefícios já concedidos, mas uma desaceleração no ritmo de novas concessões pelo INSS. O reajuste do programa social foi anunciado a menos de um mês do primeiro turno das eleições e deve custar R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, elevando o tíquete médio para R$ 777.
A revisão orçamentária ocorreu em meio a um quadro de enfraquecimento das contas públicas. O relatório apontou uma redução de R$ 15,7 bilhões na previsão total de arrecadação em 2026, puxada por um tombo de R$ 13,1 bilhões nas receitas do Imposto de Renda, mantendo cerca de R$ 16 bilhões sob contingenciamento ou bloqueio.
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