Fundão de R$ 5 bi: voto em deputado define fatia dos partidos
Repartição do Fundo Eleitoral destina 83% dos recursos públicos com base no desempenho e no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.
O voto do eleitor para a Câmara dos Deputados carrega um impacto direto no bolso do contribuinte e no caixa dos partidos. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundão, soma cerca de R$ 5 bilhões de dinheiro público nas Eleições de 2026. A composição do Congresso Nacional é o fator determinante para decidir quem fica com as maiores fatias desse montante.
Conforme levantamento publicado pela Revista Oeste, cinco das 30 legendas registradas no país concentram R$ 2,8 bilhões, o que corresponde a 58% de todo o recurso disponível. A concentração ocorre porque a legislação privilegia o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado, além da votação nominal obtida pelas siglas na disputa anterior.
Ter registro formal na Justiça Eleitoral assegura uma cota mínima imediata de R$ 3,3 milhões para qualquer sigla. Essa divisão igualitária representa apenas 2% do total do fundo, o equivalente a R$ 100 milhões divididos entre todos os participantes. Outra fatia, de 15%, leva em conta a quantidade de senadores de cada legenda.
Regras de partilha e bancadas
A maior parte do orçamento partidário depende diretamente da eleição para deputado federal. Do total do fundo, 35% são partilhados proporcionalmente aos votos obtidos para a Câmara, desde que o partido tenha elegido ao menos um parlamentar. Outros 48% são distribuídos de acordo com o número final de deputados em exercício. Somadas as duas regras, 83% do dinheiro público responde ao desempenho nas urnas para o cargo.
Cada parlamentar eleito rende, no mínimo, R$ 4,6 milhões para os cofres da respectiva sigla. Candidatos com votações expressivas elevam esse valor. Em 2022, a votação de 1,4 milhão de votos do deputado Nikolas Ferreira garantiu outras seis cadeiras e gerou quase R$ 56 milhões em verbas do Fundão para o PL, considerando o cálculo por votos e vagas.
Com a regra em vigor, o PL lidera o repasse atual com R$ 881 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615 milhões. O grupo que comanda mais da metade do financiamento público inclui ainda o União Brasil, com R$ 526 milhões, o PSD, com R$ 421 milhões, e o PP, com R$ 417 milhões. Para o cidadão, a escolha nas urnas para a bancada federal define diretamente quais legendas vão gerir os maiores volumes de recursos bancados pelos pagadores de impostos.
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