Flávio rebate fala de Lula sobre venda de armas e munições
Senador contesta números apresentados sobre registros bélicos no governo anterior e discussão traz à tona dados oficiais do setor.

Imagem: @Flavio22Insider / reprodução
O embate político entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro ganhou novos contornos após declarações sobre o comércio de armamentos e munições no país. Durante debate televisivo, Lula afirmou que a gestão anterior autorizou a aquisição de armamentos em larga escala e sugeriu que o público verificasse os dados na internet. Flávio Bolsonaro rebateu a declaração no mesmo instante, sustentando que os números apresentados não são verdadeiros.
As imagens do confronto circularam em gravação veiculada pelo perfil @Flavio22Insider em 18 de outubro de 2026. No registro, Flávio afirmou que os números foram inventados pelo adversário e recomendou pesquisas sobre acusações que envolvem o filho de Lula, enquanto o petista alegava a compra de mais de um bilhão em armas, dólares e cartuchos.
A discussão sobre as estatísticas envolve registros levantados por entidades do setor de segurança pública. Conforme apurou o Jornal Razão, a soma citada por Lula reflete o mercado global de munições no período de 2019 a 2022, no qual foram comercializados cerca de 1,27 bilhão de cartuchos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023. O montante, contudo, inclui as aquisições de forças policiais, empresas de segurança privada e órgãos públicos. Nas lojas voltadas a atiradores, caçadores e clubes de tiro, o volume somou aproximadamente 904 milhões.
Mudanças regulatórias e restrições
No que se refere às armas, o país contabilizou 1,35 milhão de novos registros entre 2019 e 2022, segundo levantamento conjunto dos institutos Sou da Paz e Igarapé com dados da Polícia Federal e do Exército. O tema já vinha sendo explorado pelo presidente em discursos recentes, como em ato realizado em 19 de setembro em Florianópolis.
A política para o setor passou por forte inflexão a partir de 2023, com medidas impostas pelo governo federal para restringir a compra legal de armamentos. Logo no primeiro dia de mandato, um decreto suspendeu novas concessões e determinou o recadastramento de peças adquiridas no período anterior. Posteriormente, o Decreto 11.615 reduziu o limite de defesa pessoal para duas armas, exigiu comprovação periódica de necessidade e fixou teto anual de 50 munições por unidade.
Com as novas exigências estatais e o endurecimento das regras, a compra de equipamentos por colecionadores, atiradores e caçadores recuou de 448.319 unidades em 2022 para 39.914 em 2024, representando queda de 91% no segmento. Flávio Bolsonaro defende a reversão desse arrocho burocrático e sustenta que a garantia da legítima defesa do cidadão comum precisa ser restabelecida para combater a criminalidade.
A disputa coloca em evidência visões opostas sobre o direito à segurança individual e o papel do Estado na fiscalização. Enquanto as restrições normativas continuam em vigor limitando o acesso a calibres e quantidades de cartuchos nas lojas credenciadas, o tema segue no centro das atenções de CACs e profissionais que dependem de autorizações federais para manter atividades regulares.
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