Flávio Bolsonaro quer classificar facções como narcoterroristas
Proposta mira enquadramento de PCC e Comando Vermelho com uso das Forças Armadas nas fronteiras e no Porto de Santos.

Imagem: @WillianTavares9 / reprodução
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), defendeu classificar facções criminosas que atuam no Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na categoria de organizações narcoterroristas. A iniciativa integra a estratégia voltada ao fortalecimento da segurança pública e ao enfrentamento de grupos criminosos armados.
Em gravação divulgada pelo perfil de Willian Tavares no X, o parlamentar aparece em estúdio de televisão durante entrevista sobre o cenário eleitoral. Na ocasião, Flávio declarou que planeja reunir os comandantes militares e chefes de polícia para coordenar o combate ao tráfico de drogas, com atuação das Forças Armadas no patrulhamento das fronteiras e na vigilância do Porto de Santos.
A intenção de endurecer a repressão às facções a partir de janeiro de 2027 também foi tratada em transmissão ao vivo, como noticiou o Último Segundo - iG. Durante a conversa, realizada ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do deputado Guilherme Derrite (PL-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, o senador declarou que pretende declarar guerra aberta ao narcoterrorismo.
Integração militar e regras jurídicas
A classificação sob a ótica do narcoterrorismo busca dar instrumentos mais rígidos para a resposta estatal contra grupos criminosos de grande porte. Contudo, a efetivação dessa mudança depende de alterações formais na legislação brasileira pelo Congresso Nacional. O eventual enquadramento também não representa uma autorização automática para o emprego irrestrito das Forças Armadas em ações de segurança pública cotidiana.
Cooperação internacional e fronteiras
O discurso do parlamentar alinha-se a diretrizes internacionais de combate às drogas, como a postura adotada nos Estados Unidos por Donald Trump ao classificar cartéis como terroristas. O modelo inclui a cooperação regional por meio do chamado Escudo das Américas, além de espelhar medidas de tolerância zero implementadas em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele.
Para sair do papel, qualquer nova regra sobre o enquadramento de facções criminosas precisará ser votada pelos parlamentares federais e regulamentada pelos órgãos competentes. A proposta reforça o debate sobre segurança e controle territorial na reta decisiva da eleição presidencial, cujo segundo turno ocorre em 25 de outubro de 2026.
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