Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos e impõe exigências a Lula
Senador protocolou petição no TSE para liberar 20 anos de dados fiscais e telefônicos, mas cobra registros de ex-assessor e familiares do presidente.

Em resposta à ofensiva da campanha petista na reta final da disputa eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 21 de outubro de 2026, uma petição em que autoriza a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos. O candidato do PL condicionou a liberação de suas informações à divulgação equivalente de dados de familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de integrantes do governo.
A manifestação formal ocorreu após a campanha de Lula apresentar ao tribunal um documento permitindo a quebra de sigilo sobre as contas do petista nos últimos oito anos. Conforme registrou o portal O TEMPO, Flávio discursou a apoiadores afirmando que aceitava o confronto e levaria a questão até as últimas consequências. A defesa do parlamentar incluiu na autorização registros de empresas das quais é sócio ou administrador, além de mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Em contrapartida, o senador cobra transparência total do governo sobre encontros com o mesmo banqueiro. O documento enviado à Justiça Eleitoral solicita que o Palácio do Planalto informe a pauta e a lista de presentes em uma reunião ocorrida em 4 de dezembro de 2024 entre Lula e Vorcaro, além do registro de entradas de intermediários da instituição financeira nos palácios federais desde 2023.
Cobrança sobre assessores e gastos públicos
A peça jurídica protocolada no TSE também exige a divulgação de dados fiscais e telefônicos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. De acordo com informações da CNN Brasil, os advogados de Flávio argumentaram que o presidente não utilizava linha móvel pessoal, recorrendo aos telefones de assessores diretos.
A petição menciona ainda um repasse de R$ 249 mil recebido por Marcola de Roberta Luchsinger, investigada em apurações de desvios contra segurados do INSS. O ex-auxiliar declarou à Polícia Federal que o valor decorreu de empréstimo pessoal quitado, mas a campanha de Flávio sustenta ser necessário esclarecer se a quantia financiou despesas particulares ligadas ao entorno presidencial.
Por fim, a representação de Flávio Bolsonaro cobrou o detalhamento de gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, agendas de Janja da Silva e o controle de visitas ao Palácio da Alvorada. A defesa solicitou a intimação de Lula e determinou que a liberação efetiva de seus próprios registros bancários e telefônicos ocorrerá apenas quando as contrapartidas exigidas forem apresentadas pelo presidente.
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