FAB impõe sigilo de 100 anos em voos de jato ligado a Vorcaro
Aeronáutica bloqueia acesso a registros de avião executivo sob alegação de preservar dados pessoais e privacidade de passageiros.

Imagem: @george1BR2 / reprodução
O Comando da Aeronáutica impôs sigilo de 100 anos sobre os planos de voo do jato executivo Falcon 7X, prefixo PS-FST, utilizado pelo empresário Vorcaro. A decisão impede o fornecimento de registros de deslocamento solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que cobriam o intervalo de 10 a 20 de novembro de 2025.
O período solicitado coincide com o momento em que Vorcaro acabou detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar na aeronave rumo a Malta. O caso gerou fortes críticas nas redes sociais, com publicação de @george1BR2 resgatando discursos em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometia o fim de qualquer segredo governamental prolongado.
Como noticiou o Jornal Razão, a Força Aérea Brasileira fundamentou a negativa no artigo 31 da LAI, dispositivo que autoriza restringir o acesso por até um século para resguardar a intimidade e a vida privada. O órgão militar sustentou que detalhar os itinerários permitiria vincular trajetos aos usuários da aeronave mediante cruzamento com dados públicos, recusando-se inclusive a confirmar se houve registros de operação nas datas indicadas.
Histórico de restrições na administração federal
A aplicação da blindagem contrasta com compromissos assumidos na campanha eleitoral de 2022, na qual Lula declarava que acabaria com imposições de sigilo centenário já no início do mandato. Embora a Controladoria-Geral da União (CGU) tenha revisto decisões pontuais do governo anterior, a prerrogativa legal seguiu ativa e utilizada em diferentes setores da gestão federal.
Outros órgãos da máquina pública recorreram ao mesmo artigo para negar transparência nos últimos anos. Levantamentos oficiais apontam o uso do recurso pelo Exército, no caso de promoções militares, pela Secretaria de Comunicação Social, referente a participantes de treinamentos de mídia, e pelo Banco do Brasil, sobre visitantes da presidência da instituição. Registros do painel da CGU apontam cerca de 5,6 mil negativas desde 2023 baseadas na alegação de dados pessoais.
A manutenção da barreira impede a sociedade de auditar a movimentação de figuras ligadas a apurações criminais e escândalos corporativos. O cidadão que tem requerimentos de transparência indeferidos pela administração pode submeter recursos à CGU ou recorrer ao Ministério Público Federal, mas o histórico recente evidencia o fechamento de informações estratégicas sobre voos e reuniões no poder público.
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