EUA não fixam prazo para rever sobretaxa de 37,5% ao Brasil
Governo norte-americano cita período eleitoral e trava avanço de negociações sobre tarifas aplicadas ao comércio do país.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que não foi estabelecido nenhum prazo para a entrega de uma nova proposta de acordo tarifário ao Brasil. A manifestação ocorreu após reunião com integrantes do governo brasileiro durante o encontro ministerial de Comércio do G20, realizado em Milwaukee, nos Estados Unidos.
O diálogo reuniu Greer, o chanceler Mauro Vieira e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, como noticiou o Poder360. Greer afirmou que a Casa Branca já entregou opções em ocasiões anteriores e declarou que o fato de o Brasil estar em período eleitoral pode limitar a flexibilidade de ambos os governos nas negociações.
A equipe brasileira pretendia negociar uma lista de produtos isentos antes de buscar a anulação total das barreiras, que hoje somam 37,5% em sobretaxas. Enquanto a equipe ministerial brasileira estimava receber um documento em até quatro semanas, Greer não quis confirmar datas e evitou responder se cobranças sobre o Pix e desmatamento continuam na mesa de negociações.
Histórico das sobretaxas em vigor
A primeira barreira tarifária, de 25%, foi estabelecida pelos Estados Unidos em 15 de julho com base na Lei de Comércio de 1974. A medida entrou em vigor em 22 de julho, amparada por alegações americanas sobre práticas comerciais brasileiras ligadas a comércio digital, Pix, etanol, desmatamento e propriedade intelectual.
Em 23 de julho, os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa complementar de 12,5%, que passou a valer no dia seguinte e atingiu dezenas de nações, sob justificativa de combate a mercadorias ligadas a trabalho escravo. O governo brasileiro contesta formalmente todas as alegações que sustentam as tarifas.
Sem previsão para uma proposta americana, os exportadores e produtores brasileiros seguem submetidos às alíquotas punitivas nas remessas aos Estados Unidos, com as negociações práticas suspensas até o término do processo eleitoral de outubro.
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