Deltan rebate fala de Lula sobre 'picareta' e cita imóveis
Ex-procurador reagiu a ataque feito durante debate e relembrou investigações da Lava Jato sobre patrimônio do petista.

Imagem: @deltanmd / reprodução
O ex-procurador da República Deltan Dallagnol rebateu publicamente uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita durante a transmissão do debate presidencial. Na transmissão, o candidato petista chamou o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato de "picareta querendo fazer confusão".
Em vídeo divulgado em seu perfil no X, Deltan aparece em frente a um televisor que exibia o confronto eleitoral com o senador Flávio Bolsonaro. Logo após a ofensa, o ex-procurador virou para a câmera rindo e rebateu a acusação, lembrando os casos do sítio em Atibaia, do tríplex no Guarujá e do apartamento em São Bernardo do Campo registrados em nome de terceiros.
Disputa por abertura de sigilos
A reação pública acontece em meio ao papel assumido por Deltan na reta final da disputa eleitoral de 2026. A campanha de Flávio Bolsonaro designou o ex-procurador para examinar as informações bancárias, fiscais e telefônicas da família e de empresas ligadas ao presidente, conforme noticiou o Poder360.
A troca de acusações ganhou tração após Lula desafiar Flávio a quebrar sigilos durante o debate realizado pela TV Bandeirantes em 18 de outubro. A coordenação da campanha de Lula ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) propondo divulgar os dados caso o senador do PL fizesse o mesmo. Em réplica, a equipe de Flávio impôs 19 exigências, aceitas pela cúpula do PT perante o tribunal no dia 22 de outubro.
Mesmo com a concordância formal da coligação petista, Deltan afirmou que a entrega efetiva da documentação para auditoria ainda não havia se concretizado. O ex-membro do Ministério Público defendeu a abertura de informações retroativas a 2003, momento da chegada de Lula ao Planalto, rejeitando limitar a análise aos últimos oito anos de atuação parlamentar de Flávio.
Deltan chefiou a equipe do Ministério Público Federal em Curitiba que conduziu o processo que culminou na prisão de Lula em 2018. As condenações acabaram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, por decisão sobre competência territorial e atuação de Sergio Moro. Segundo o ex-procurador, a cobrança pela entrega das contas busca esclarecer aos eleitores se houve qualquer uso indevido de recursos da máquina pública.
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