CNJ faz correição em gabinete de desembargador ligado ao Master
Corregedoria apura processos de precatórios de R$ 8,5 bilhões no TRF-1 após mensagens e contrato milionário com banco.

Foto: Diego3336 / Flickr (CC BY 2.0)
A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça realizou uma correição extraordinária no gabinete do desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A fiscalização, conduzida com o apoio da Polícia Federal, recolheu dados e verificou o andamento de processos envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. Em manifestação divulgada nesta quinta-feira (24), o magistrado classificou o procedimento como uma medida natural e regular.
Conforme noticiou o portal O Antagonista, a equipe de fiscalização inspecionou arquivos armazenados em computadores do gabinete e documentos ligados aos casos em apuração. A medida teve origem em mensagens encontradas pela PF no aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em que o magistrado é citado em tratativas institucionais e pedidos diversos.
Os registros da investigação apontam que os diálogos mencionavam a chamada Turma do KN, expressão descrita pelos investigadores como alusão ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Newton Ramos atuou anteriormente como juiz auxiliar de Nunes Marques durante a passagem do ministro pela vice-presidência do TRF-1. Em resposta, o ministro do STF declarou que nunca autorizou terceiros a agir em seu nome e que jamais conversou com Vorcaro.
Contrato milionário e precatórios
Outro foco da apuração é um contrato advocatício firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador. O pacto estipulava até R$ 427 milhões em honorários, calculados em 5% sobre os valores recuperados em 12 processos de precatórios do setor sucroalcooleiro, montante com potencial de liberação de R$ 8,5 bilhões.
Em nota oficial, a defesa do desembargador afirmou que ele permanece no exercício regular da jurisdição e continua despachando os processos de seu acervo. Newton Ramos sustentou que mantinha apenas relacionamento privado com o empresário e negou categoricamente ter atuado ou julgado litígios de interesse do Banco Master.
O procedimento disciplinar segue em curso no CNJ para averiguar se houve infração aos deveres da magistratura na condução de ações bilionárias que tramitam na Justiça Federal.
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