Celular de Vorcaro revela detalhes de reuniões no Planalto
Mensagens obtidas pela PF detalham visitas do ex-banqueiro à sede do governo federal e encontros com Lula e ministros antes da liquidação do Master.

Foto: Cesar I. Martins / Flickr (CC BY 2.0)
Dados extraídos do telefone celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, detalham duas das quatro visitas feitas pelo empresário ao Palácio do Planalto entre os anos de 2023 e 2024. As mensagens obtidas pela Polícia Federal comprovam a presença de Vorcaro em Brasília nas datas correspondentes aos acessos registrados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), incluindo um encontro direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As informações foram reveladas pelo Poder360, que indicou que a reunião com Lula ocorreu em 4 de dezembro de 2024. Naquela data, Vorcaro ingressou na sede do governo no mesmo horário do empresário Lucas Kallas, seu sócio na empresa Biomm. O compromisso foi articulado após uma audiência formal com o então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que só inseriu o registro no sistema semanas depois, incluindo o ex-ministro Guido Mantega entre os participantes.
Ao término da conversa inicial, Vorcaro e Mantega pediram para falar com Lula, que os recebeu fora da agenda oficial no gabinete presidencial. O presidente chamou para a reunião o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central. Augusto Lima, que presidia o Master, também esteve presente.
Articulações e liquidação do banco
Durante o diálogo, Vorcaro expôs queixas sobre a concorrência dos grandes bancos no mercado nacional. Lula respondeu que o tema cabia a critérios técnicos do Banco Central e recomendou ao empresário que não vendesse o Master para o banco BTG. Em 2025, os dois voltaram a se encontrar em Minas Gerais, onde o presidente reiterou o conselho contra a negociação, período em que suspeitas financeiras sobre o banco já circulavam no mercado.
Os registros sob posse dos investigadores apontam também que representantes do Banco Master participaram de 65 reuniões com a cúpula do Banco Central a partir de 2019. Foram 24 compromissos durante a gestão de Roberto Campos Neto e outros 41 ao longo do mandato de Gabriel Galípolo. Posteriormente, já com Galípolo à frente da autarquia, o BC vetou a venda do Master ao BRB e decretou a liquidação da instituição financeira, apontando a existência de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões.
O caso expõe o impacto direto das relações entre grandes grupos financeiros e o poder público em Brasília. Para o cidadão e para quem produz no país, a revelação de fraudes bilionárias desse porte reforça a necessidade contínua de rigor fiscal, integridade regulatória do Banco Central e vigilância sobre o acesso de agentes econômicos aos gabinetes do Executivo.
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