Bets suspendem acordo com Fazenda e Anatel contra sites ilegais
Após veto e edição de medida provisória, entidade do setor trava parceria técnica e articula ofensiva no Congresso.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidade representativa das empresas de apostas, suspendeu a cooperação técnica que mantinha com o governo federal para rastrear e bloquear plataformas clandestinas no país. A interrupção afeta diretamente as ações conjuntas com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, e com a Superintendência de Fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Conforme noticiou o portal Poder360, o termo de cooperação havia sido assinado em 25 de setembro de 2025 e contava com previsão de vigência de três anos. O arranjo viabilizou a criação de um laboratório virtual e de uma base física no prédio da Anatel, mantidos com recursos privados do setor para dar agilidade na localização de domínios sem licença.
Laboratório financiado pelo setor
Dentro do modelo operacional, a estrutura realizava auditorias técnicas, monitoramentos e análise de falhas de segurança dos endereços piratas. Cabia à SPA emitir as ordens de restrição e à Anatel notificar as operadoras de telecomunicações para a derrubada das páginas. Entre 1º de janeiro e 22 de setembro de 2026, a SPA remeteu 57.691 endereços eletrônicos para bloqueio compulsório.
A paralisação do convênio ocorre em meio a uma disparada de plataformas fora da lei. Levantamento feito pela plataforma Bet Legal registrou o surgimento de 415 novos sites clandestinos após a edição de uma recente medida provisória que endureceu as regras para o setor. O total de endereços irregulares saltou de 295 para 710 em menos de três dias, configurando uma alta de 141 por cento.
Pressão no Congresso e STF
Inconformadas com o veto do Executivo e o teor da MP, as empresas licenciadas preparam uma ofensiva política para tentar derrubar a medida durante a tramitação legislativa. De acordo com o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, a pressão sobre deputados e senadores deve ganhar tração após o término do período eleitoral.
A entidade também avalia entrar com ação direta no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar as imposições da norma federal. Com a retirada do apoio técnico e financeiro das empresas regulares, a responsabilidade de vigilância e fiscalização de sites clandestinos recai integralmente sobre o aparato dos órgãos federais.
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