Alvo da PF, lobista afirma que pretende delatar Lulinha e Lula
Investigada na Operação Sem Desconto, Roberta Luchsinger diz que não vai poupar o presidente e o filho em depoimentos sobre suposto tráfico de influência.

Foto: Ronaldo Maciel / Flickr (CC BY 2.0)
Alvo de medidas cautelares da Polícia Federal, com bloqueio de bens e uso de tornozeleira eletrônica, a empresária Roberta Luchsinger anunciou que pretende fechar acordo de delação premiada nas investigações sobre fraudes e tráfico de influência no governo federal. Em entrevista à CNN Brasil, ela declarou que não vai poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A investigada afirma ter presenciado reuniões e diálogos presenciais que não aparecem nas trocas de mensagens apreendidas pelos investigadores. Como noticiou a Revista Oeste, Roberta declarou que o filho do mandatário mantinha encontros frequentes com integrantes do primeiro escalão para tratar de temas regulatórios e comerciais, entre eles a liberação de produtos derivados de canabidiol.
Suspeitas e apurações em órgãos federais
As apurações da Operação Sem Desconto investigam desvios no Instituto Nacional do Seguro Social e a atuação de intermediários para facilitar acesso a pastas da Esplanada dos Ministérios. Mensagens obtidas pela polícia mostram a atuação da lobista ao lado de Lulinha e do empresário Fernando Bittar na interlocução de liberação de verbas e interesses corporativos.
O material apurado nas investigações reúne repasses a assessores do Executivo, como o pagamento de boletos que totalizam 249 mil reais para o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro e presentes de alto valor direcionados a Swedenberger Barbosa, então na Saúde. As tratativas envolveram ainda um contrato com a Petrobras que acabou suspenso pelo Tribunal de Contas da União após avaliação de prejuízo financeiro.
Reação ao Planalto e desdobramentos
A disposição da empresária em colaborar ocorre depois de Lula chamá-la publicamente de pilantra e negar ter conhecimento das ações dela. Em resposta, Roberta acusou o presidente de covardia e disse que o chefe do Executivo não pode se eximir de saber a conduta do próprio filho na antessala do poder. A defesa de Lulinha e o Palácio do Planalto não responderam aos pedidos de posicionamento.
Os fatos relacionados à empresária e ao filho de Lula tramitam atualmente em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Para que a colaboração premiada tenha efeito processual, a defesa de Roberta precisa submeter os termos formais ao Ministério Público e aos investigadores da PF, com apresentação de provas materiais que justifiquem a homologação judicial do acordo.
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